O projeto consiste no desenvolvimento de uma plataforma digital interativa, interligada a um passaporte físico colecionável, uma iniciativa concebida para modernizar a experiência do turista que visita o nosso concelho. A inovação reside na forma como a tecnologia apoia a descoberta do território, transformando o ato de passear numa experiência imersiva de exploração, divertida e de aprendizagem acessível e não maçadora, que tanto valoriza o património cultural como dinamiza a economia local.
A porta de entrada virtual para o concelho será um website otimizado para dispositivos móveis, cuja interface principal apresenta um mapa interativo de todo o território de Elvas. Ao navegar por este mapa, o utilizador depara-se com as representações em modelação 3D dos principais monumentos e sítios de interesse. Quando o visitante seleciona um determinado monumento, a plataforma abre uma sub-página mapeada de conteúdos multimédia que combina texto, áudio e vídeo de alta qualidade. A grande mais-valia cultural deste sistema são as encenações históricas em formato de vídeo: os conteúdos serão escritos e interpretados por atores que darão vida a personagens marcantes da história local que explicam na primeira pessoa as narrativas daquele espaço.
Para garantir que o visitante explora o monumento na sua totalidade, a interface apresenta uma barra de progresso em tempo real que indica a percentagem do percurso sugerido que já foi percorrida pelo utilizador no local. Quando a barra de progresso da visita ao monumento atinge os 100%, o sistema apresenta ao utilizador um breve questionário composto por cinco perguntas de escolha múltipla sobre a história e as curiosidades do local que acabou de conhecer. Este mecanismo garante que o visitante consumiu e compreendeu a informação disponibilizada pelos guias e atores virtuais. Ao responder com sucesso às perguntas, a plataforma valida digitalmente a conquista e concede autorização ao utilizador de ter o respetivo carimbo no seu passaporte fornecido pelo equipamento turístico.
A sustentabilidade do projeto assenta num modelo de acesso exclusivo, através de um passaporte físico, que funciona como a chave de entrada na plataforma digital. Este passaporte será impresso e comercializado por um valor único de 5€ em todas as infraestruturas municipais e no posto de turismo do concelho. No seu interior, além do espaço para os carimbos tradicionais, o passaporte contém um código individual que concede ao comprador um acesso total e irrestrito à base de dados de áudios, vídeos e informações históricas do site durante um período de 5 dias.
O passaporte físico dispõe também de uma barra de progressão, em que à medida que o turista acumula carimbos ao visitar os monumentos com bilheteira e os pontos das freguesias, ele atinge marcos que ativam descontos e vantagens diretas numa rede de parceiros locais aderentes, incluindo restaurantes, alojamentos e produtores de gastronomia ou artesanato. Para incentivar a conclusão de todo o mapa, os visitantes que colecionarem a
totalidade dos carimbos ganham acesso a um prémio final de elevado valor material ou cultural oferecido pelo projeto.
Com o intuito de expandir a marca de Elvas além-fronteiras sem custos publicitários incomportáveis, o passaporte integra uma forte estratégia de incentivo à partilha digital orgânica. Os turistas serão desafiados a partilhar fotografias criativas das suas visitas nas redes sociais, utilizando uma etiqueta ou hashtag específica associada ao projeto. Esta dinâmica de partilha permanente funciona como um motor de promoção turística contínuo alimentado pelos próprios visitantes. Como forma de recompensa e estímulo para esta comunidade digital, a organização do projeto realizará um concurso mensal onde a fotografia mais original ou com maior impacto nas redes sociais será premiada com um fim de semana em Elvas para duas pessoas, incluindo a estadia assegurada pela rede de empresários locais parceiros do passaporte.
Na primeira fase, a plataforma e o passaporte cobrirão os eixos monumentais mais identitários do concelho, englobando as três portas históricas de Elvas, as três linhas de muralhas defensivas, os dois fortes principais e os três fortins. O mapa integrará também o Aqueduto da Amoreira, o Castelo, o Museu de Arte Contemporânea de Elvas, o Museu de Arqueologia e Etnografia, o Museu Militar, a Praça de República, o Museu Municipal de Fotografia e as principais igrejas da cidade. Contudo, para assegurar a abrangência territorial mútua, a primeira fase estipula obrigatoriamente a inclusão de pelo menos um ponto turístico de destaque em cada uma das freguesias rurais do concelho, garantindo que as populações e os pequenos comércios fora do ambiente urbano são integrados nesta dinâmica económica e promocional.
O mapa digital servirá também como uma montra criativa do concelho. A plataforma dedicará um espaço de destaque à promoção dos artesãos e artistas locais, indicando detalhadamente onde os turistas podem encontrar e adquirir peças de artesanato autênticas e produtos endógenos. Adicionalmente, o site disponibilizará informações úteis sobre rotas turísticas temáticas, programação cultural atualizada do município e os contactos da rede de restauração e hotelaria aderentes. Paralelamente ao património edificado, o projeto assume também uma forte vertente de salvaguarda social e cultural ao registar e catalogar o património imaterial do concelho. Isto será feito através da gravação de testemunhos em vídeo e áudio de personalidades seniores e figuras ilustres da região que guardam na memória tradições antigas, lendas locais, ofícios desaparecidos e contos populares, imortalizando a identidade elvense na base de dados do projeto.
A candidatura ao Orçamento Participativo visa financiar a totalidade dos custos de desenvolvimento, produção de conteúdos e manutenção da plataforma durante os seus primeiros 3 anos de atividade contínua. As verbas do investimento inicial serão alocadas ao desenvolvimento de software, modelação de cenários em 3D, contratação de atores e equipas de filmagem, gravação e tradução de áudio-guias, design e impressão dos lotes iniciais de passaportes e constituição do fundo de prémios para os passatempos das redes sociais. O modelo de planeamento garante que, durante este triénio, o projeto amadurece, estabelece a
sua rede de parceiros e consolida a sua presença no mercado turístico sem representar qualquer encargo financeiro extra ou imprevisto para a administração municipal.