Proposta: O concelho de Elvas é muito rico em património natural, neste caso em áreas classificadas ao abrigo das leis da União Europeia, nomeadamente da Diretiva Aves, que pressupõe a criação de Zonas de Proteção Especial (ZPE) para aves em todos os países da UE abrangidos por esta lei. Neste caso, e por Elvas se encontrar num território abrangido por essa legislação, esta proposta visa restaurar um posto de observação e interpretação de aves com painéis interpretativos numa das três ZPE do concelho de Elvas, neste caso a ZPE Torre da Bolsa.
Estaria também associado um pequeno levantamento fotográfico de algumas das espécies estepárias presentes nesta ZPE, de modo a incluir essas espécies num panfleto de promoção do património natural do concelho, no posto de turismo municipal, levando os interessados em ornitologia, bem como a população em geral, a frequentar este espaço de lazer com uma boa infraestrutura, que seria maioritariamente usada nos períodos de Outono, Inverno e Primavera, quando estas aves se encontram mais ativas e com temperaturas mais amenas.
Na ZPE de Torre da Bolsa, devido à construção da linha férrea Évora-Elvas, esta medida funcionaria como uma medida de mitigação pela construção da linha, através da valorização de um território que foi fragmentado por esta infraestrutura mas que, ainda assim, alberga uma boa quantidade das aves estepárias mais comuns do Alentejo, como a abetarda (Otis tarda), o sisão (Tetrax tetrax) e o grou-comum (Grus grus), bem como outras espécies estepárias como os peneireiros-cinzentos (Elanus caeruleus), tartaranhões-caçadores (Cyrcus pygargus) e cortiçóis-de-barriga-preta (Pterocles orientalis), que se têm tornado cada vez mais raras devido à pressão causada pelo Homem nestes habitats de planície.
Toda esta fauna é pouco conhecida da população em geral, sendo que esta estrutura traria impactos diretos significativos ao nível da educação ambiental, já que algumas escolas do concelho poderiam fazer visitas de estudo às zonas rurais para sensibilizar as crianças do concelho para a temática da preservação da biodiversidade. Ao fim de semana, os entusiastas da ornitologia poderiam usar esta estrutura como abrigo para fotografia de natureza ou simplesmente para sessões de “birdwatching” no âmbito de ações de organizações de conservação da natureza que têm muita atividade nesta zona do Alto Alentejo. Este tipo de turismo de “birdwatching” traria impactos diretos na economia local pela vinda de pessoas ao concelho o que permitiria potenciar o atual património histórico de Elvas bem como a sua gastronomia típica que já é muito conhecida na região.
Neste caso, o restauro da atual estrutura e reformulação do painel interpretativo, ou a construção de uma estrutura mais moderna e de baixa necessidade de manutenção, seria a hipótese mais viável. A instalação de uma estrutura resistente e moderna como esta iria exigir um investimento inicial maior resultante dos materiais inovadores em plástico reciclado utilizados por empresas especializadas do setor cujo orçamento segue em anexo, mas que, no longo prazo, para manter esta infraestrutura utilizável por toda a população do concelho, traria inúmeros benefícios ao nível da sua durabilidade com capacidade de aguentar as temperaturas elevadas do Verão em Elvas.
A manutenção seria praticamente inexistente desde que os materiais aplicados fossem deste tipo, permitindo aguentar o clima extremo de Verão no Alentejo graças a uma estrutura totalmente feita em plástico reciclado amigo do ambiente. A esta adiciona no interior cerca de 2 a 3 painéis interpretativos com as espécies representativas da região elvense em plástico PVC.
Como tal, e para executar esta estrutura ficaria depois a cargo da Câmara Municipal de Elvas a remoção do antigo observatório de difícil restauro e conservação, para dar lugar à colocação do novo observatório no mesmo local onde se encontrava o anterior, a cargo da empresa que fez o orçamento com custo total dos materiais e instalação da estrutura.
Neste caso em particular, a adição dos panfletos de promoção do património natural da região de Elvas aumentaria também a promoção das outras duas ZPE do concelho, que têm menos protagonismo, mas não deixam de ter a sua importância no contexto territorial do concelho, neste caso a ZPE de Vila Fernando e a ZPE de São Vicente.
Mesmo não havendo qualquer estrutura de apoio como a exposta nesta proposta, a promoção de um património geralmente mais desconhecido traz sempre benefícios ao nível da economia local destas freguesias de baixa densidade populacional, através da passagem de visitantes interessados em conhecer o património histórico-natural da região de Elvas.
Em vídeos de fotoarmadilhagem realizados a nível individual, dos quais seguem trechos fotográficos em anexo, demonstra-se uma grande biodiversidade no concelho de Elvas, tanto na zona de Vila Fernando como na zona de São Vicente, resultante de um habitat atualmente bem preservado e muito utilizado para pecuária e cultivo de forragens para os animais.
Como tal, seguem em anexo os documentos mais importantes, nomeadamente o orçamento da empresa, bem como o meu orçamento individual, as fotografias do local mostrando a falta de condições de usufruto do espaço a intervir e a respetiva localização GPS no Google Maps. Seguem também as espécies de mamíferos registadas na ZPE de Vila Fernando e na ZPE de São Vicente.